As Fajãs
Fajã d’Além
Na costa norte da freguesia do Norte Grande, com acesso a pé por trilho. É a mais isolada das três fajãs da freguesia.
Entre a fajã da Ponta Nova e a Fajãzinha fica a fajã d’Além, na costa norte da ilha de São Jorge, lugar de Santo António, freguesia do Norte Grande e concelho de Velas.
Junto com a vinha, cultivam-se inhames no sítio do Aguilhão e da Fajã Grande, batatas doces e da terra, tomates, alhos e cebolas. Existem seis fios de lenha ainda operacionais.
A fajã d’Além é rica em ribeiras com enguias: ribeira das Rocinhas, Grotão do Gramacho e Grota. Tem cinco fontes, uma das quais na Rocha do Mato, que dá origem à Grota.
O caminho de acesso é um atalho muito inclinado, com início em Santo António, que desce a rocha, por onde só passa uma pessoa de cada vez.
A vereda é um carreiro por onde se desce para as Funduras, local onde se vai pescar e que também dá acesso à Fajãzinha. Pescava-se com cana e anzol. Só alguns barcos que vinham de outros lugares usavam redes. Os peixes mais abundantes eram vejas, moreias e anchovas. Era frequente a apanha do caranguejo.
As aves mais frequentes eram cagarros, garças, garajaus e estorninhos. No Inverno aparecem gansos e ferlicus. Também os maçaricos que anunciam temporais.
Outra particularidade desta fajã é a de durante quase três meses do ano não se ver o sol. Isto deve-se ao facto de o sol se esconder, durante esse tempo, por trás de uma parte da rocha, sobranceira à fajã, que é mais alta.
Teixeira, Odília, Ao Encontro das Fajãs, 1995, (Município de Velas)
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